Ela&Ele - A viagem 3/3

Ela estava sentada no muro, com o vento quente a bater-lhe na cara: “como me sentia aliviada”.
Decidira ficar em casa de uma tia que pertencia a uma geração muito atrás da sua. Leite e queijo do mais são que pode haver, faziam-lhe as delícias dos seus olhos, e da sua barriga também, porque andara durante dois dias a subir o país à boleia.
A contracção de todos os músculos faciais resultam no maior sorriso que a face humana consegue exprimir e foi esse o gesto que se verificou após terminar a chamada com ele.
Ele. Ele retirou todo o peso dos ombros que a faziam encurvar quando os momentos de calma a evadiam. Problemas nas comunicações impediram que comunicassem durante três dias. Ela desesperára e ele também. Ele estava fora e ela também, mas cá dentro.

Ele: “Mas o que se passou? Podes-me explicar?”
Ela: “Desculpa, não percebo porquê mas não tenho conseguido telefonar-te e olha que não foi falta de tentativas.”
Ele: “Sim mas eu já não tinha notícias tuas à três dias! Estás fora e sozinha, como é que queres que me sinta? Estou preocupado.”
Ela: “Eu sei querido, vou passar a ter mais atenção quanto à rede no telemóvel, o que é difícil. Mas sabes, eu não estou literalmente sozinha. Vim para casa de uma tia.”
Ele: “Acho muito bem, mas vê lá não me mates de coração que eu ainda te quero abraçar quando voltar de férias! Ah ah.“
Ela: “Não sejas tolo! Vá, olha, já estão a passar os dez minutos.”
Ele: “Tens razão. Pronto então, amanhã à noite voltamos a falar, ok? Sabes o que sinto por ti, não sabes? Olha, nunca te esqueças que o coração não guarda segredos.”
Ela: “Eu sei meu amor, e podes apostar que és tu a base da minha pirâmide. Até amanhã.”

Ao desligar da chamada esteve associado o tal movimento facial acima descrito, e só ele a punha assim. Tratava-se de um rodopio de emoções no qual a saudade comandava a marcha.
Há coisas que a puseram a pensar e repensar e foram sem dúvida o motivo da sua viagem. Ela estava numa fase da sua vida em que tinha que escolher entre o amor pelas coisas e as coisas com amor. Seguir o sonho da sua vida ou optar por uma vida sem sonhos. Ele fora aquele que a ajudou a por as cartas na mesa e a decidir o que seria melhor, porque na verdade, hipóteses não faltavam, o problema é decidir qual delas a melhor. E como ninguém pode decidir por ela, partiu para a aventura e para meditar sobre o assunto. Ela agradece-lhe pelo trabalho por ele prestado e que foi desempenhado como ela nunca pensou que fosse possível.

Ela agradece-lhe com amor, olhando-o nos olhos, abraçando-o, onde excitada e calorosamente o beija.

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