Ela&Ele - A viagem 2/3

Primeiro dia na terra, terra que viu crescer quem a fez crescer a ela. Este foi o local se se cruzou com o céu destino, onde o céu era tão límpido que a lua parecia maior e, não menosprezendo, o sol que decerto iluminava com maior atenção o caminho dos que, como ela, não sabiam qual percorrer. O cheiro da terra, dos animais, das coisas, faziam-lhe lembrar o quanto bons tempos ali foram passados. E momentos de alegria, com muito amor e sinceridade (que era o seu maior interesse nas pessoas). Como ela gostava daquilo...
A mochila estava cheia, mas o que nunca caía no esquecimento em circunstância alguma era não trazer o seu “diário de bordo”. Como o seu destino decerto lhe oferecia um tecto para a cobrir, decidiu trazer também o seu computador, que estando na mala lhe fazia endireitar as costas de tal modo que, quem não soubesse, retia como sua postura uma erguida e confiante. E como cada vez que fazia a mala, partia para a aventura, tudo o que fosse interpretações por terceiros lhe era alheio, “confesso que me aproveitava da situação”.
Trazia 2€ no bolso. Optou por um pão com chouriço e um batido de manga à beira rio. Eram 16h e faziam 36ºC ao sol. Sentou-se num relvado, debaixo de uma árvore, tirou o seu diário de bordo e, para registar o momento, desenhou-o, tendo em conta todos os truques e dicas dados pela sua mãe (que certamente se questionava “onde raio é que eu me encontrava”). Que bem que ela se sentia. O traço do seu lápis percorria o papel tão subtilmente como o de uma criança a desenhar um prenda de natal, cuja inspiração era tão ou mais sincera do que a dela. O planar dos pássaros rasavam-lhe a cabeça mas nada quebrava o bloco de tempo que a cobria. No entanto, pouco antes de terminar a projecção, encostou a cabeça na mochila que no chão se encontrava, e fechou os olhos.

Já dizia o poeta: “o sonho comanda a vida”, e como ela não tinha o leme do barco, usou o motor para ajudá-la a chegar ao destino.

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