Ela&Ele

Ele sai do quarto e pergunta-lhe se ela acha que está correcto. Ela discorda, dizendo que já fez de tudo e, sentindo-se impotente, jura que pensa no assunto todos os dias, é que já não consegue sair do ciclo vicioso em que se encontra. Ele não a olha na cara, como se os seus olhos fossem incapazes de o fazer. Surgem então compassos de espera, onde paira no ar a pior sensação que ela alguma vez temeu.
Ele então dá o primeiro passo e inicia o discurso que ela prevera, mas que não queria ouvir. Os olhos brilham, e ela sente o coração a gelar, sente fúria e medo, principalmente medo. Ela sabe que precisa de estabilidade, mas aquilo foi a gota de água. A gota que completa o pior do fundo dos oceanos, o mais obscuro, o pior lado do amor.
Ela pede-lhe perdão. Gelam-lhe as mãos, que suadas deslizam nas suas pernas à procura de conforto. Ele repete o que anteriormente disse, que já foi dito nas vezes anteriores, e que voltará a ser se isto se passar novamente. Ela tenta explicar que não consegue arranjar soluções. Ele ouve, e sem reacção diz “tudo bem”. Como se aquele “tudo bem” tivesse associado a 1000 espadas que foram espetadas no peito dela, deixando destroçada toda a alegria que ainda restava. Ele tinha razão, e ela sabia que ele a tinha. Ela tenta explicar que não tem culpa, e ele sabe que ela diz a verdade, mas não consegue aceitar. Largos minutos conversaram, até que ele se despede e sai.

Ela chora, e grita, e cai no chão como uma folha no Outono, só que sem planar. Cai dura e sem apoio. Cai triste e desamparada. Ela acabou de deixar partir, o que fazia com que as suas quedas não tivessem impacto em circunstância alguma. Ela ama, e ama com tudo o que tem e não tem. Ela adora, e chora ainda mais. Ela suplica e pede ajuda. O seu rosto molhado já não consegue sorrir, não tem vontade.

Ela é ele. Sem ele, ela não é nada.






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1 comentário:

Mónica disse...

Mafa!!!
deixast.me sem palavras!!
e talvez preocupada!!!

bjao doce